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WORKSHOP: FANFICTIONS E RPG’S – NOVAS FORMAS DE LEITURA E ESCRITA
http://abaffiatorpg.forumeiros.com/c1-abaffiatoWORKSHOP: FANFICTIONS E RPG’S – NOVAS FORMAS DE LEITURA E ESCRITA
Jacqueline Gomes de Aguiar , Vitória Aguiar Korol
jacqueaguiar@gmail.com , vitoriakorol@hotmail.com
RESUMO
Este workshop propõe aplicar ao público-alvo interessado (professores, educadores, pré-adolescentes, adolescentes, jovens e pessoas em geral) o exercício de construir narrativas contemporâneas constituídas em ambientes virtuais, tais como: portais de fanfictions e fóruns de RPG’s. Buscará evidenciar os processos de leitura e escrita nestes veículos, que acolhem diferentes gêneros digitais, levando-se em conta a co-construção de sentidos. E nesta medida, pretende evidenciar criações baseadas na colaboração e no compartilhamento de saberes que o uso da internet possibilita, além de demonstrar os processos de criação textual, e de imagens.
INTRODUÇÃO
É cada vez mais evidente que estamos vivendo novos tempos, tempos de convergência comunicativa oportunizada por novos meios de comunicar. Estamos na sociedade da informação virtualizada e veloz, onde os sujeitos se conectam e se apropriam dos fatos quase que ao mesmo tempo em que estes acontecem. É recorrente o surgimento de portadores de sentido que se valem da interconexão para informar, para aproximar, para, enfim, constituir-se.
Assim, este worshop propõe debruçar-se sobre as possibilidades inovadoras que encontramos presentes em ambientes virtuais de interação, em ambientes digitais hipertextualizados e midiáticos como portais de fanfictions e fóruns de RPG’s narrativos. De forma a focalizar as diversas modalidades de interação e expressão, compreendidas, a autoria de mídias, a publicação, além das fanfictions e RPG’s propriamente ditas; de imagens e animações criadas em torno da narrativa. Assim, o participante aprenderá a ler, a escrever, a publicar e a compartilhar todas as narrativas contemporâneas deste universo vrtualizado e contemporâneo.
DESVENDANDO O UNIVERSO VIRTUAL
Para aproximar-se das possibilidades do mundo virtual é importante conhecer os veículos, recursos e expressões de sentido presentes neste espaço. Assim serão discutidos:
• Gêneros Digitais – Entende-se gênero digital aquele portador de sentido que se vale da tecnologia ou mídia para se constituir. Portadores de texto, de som, de imagem e vídeo que são publicados, ou veiculados em sites, em blogs, em meios virtuais e tecnológicos.
• RPG – A sigla RPG refere-se ao termo inglês Role playing game que compreende um jogo de interpretação de personagens, onde a narrativa construída entre os membros/jogadores se dá de forma colaborativa e é construída através da interpretação de papéis e da observação de normas pré-estabelecidas, que norteiam as ações. Os RPG’s podem ser ambientados em ações presenciais ou virtuais, de forma síncrona conforme acontecem nas salas de bate-papo da UOL, onde é possível identificar um público de faixa-etária adulta participando, conforme apresentado nos trechos destacados abaixo a partir da pergunta “Por que você gosta de RPG?”
“Por ser uma ferramenta divertida, que permite vivenciar histórias e passar horas a fio com os amigos em jogos grandiosos. (Graduado, 25 anos, Presidente Prudente)”
“Porque o escolhi como minha modalidade de escritura literária, sou escritora errepegista desde 2000, tenho mais de 40 mil páginas de jogos escritos em parcerias, desde essa data até os dias de hoje, em 2011. (Professora Universitária, 47 anos, São José do Rio Preto, SP)”
“Primeiramente, porque era uma maneira de me distrair com meus amigos, criar histórias em nossa imaginação, viajar sem precisar sair do lugar, era como escrever livros, só que melhor, pois escrevíamos em conjunto. Depois, passei a perceber que me ajudava bastante em matérias da escola como História, Geografia, Literatura, Redação, Lógica, entre outras coisas, que inclusive me deram a oportunidade de pôr em prática no vestibular as técnicas que aprendi com o RPG Literário, de forma que, por meio do RPG, consegui uma bolsa integral em uma Universidade de alto nível, e hoje, estou praticamente formada. (21, Professora, São Paulo)”
Também é possível encontrar expressões assíncronas de RPG’s presentes nos fóruns do portal forumeiros. O público mais atingido por esta modalidade de interação e construção narrativa é o compreendido por adolescentes e jovens, ainda em idade escolar no nível fundamental e médio. Esta modalidade de criação narrativa é imensamente amparada em estratégias de ação, em interação entre os sujeitos e na colaboração dos membros/personagens. Nesta faixa-etária são temas recorrentes o universo Harry Potter (Obra original de J.K. Rowling) como, por exemplo, encontramos no fórum AbaffiatoRPG. Este simula a escola de magia de Hogwarts onde cada membro que se inscreve deve passar pelo teste do Chapéu seletor, que indicará a que casa (Grifinória, LufaLufa, Sonserina ou Corvinal) ele deverá pertencer. Após este primeiro teste o membro iniciará sua formação em magia, participando de aulas, entregando tarefas, participando de duelos entre o bem e o mal. É a construção de uma narrativa que se dá dentro de uma linha pré-determinada de ação (Universo Harry Potter) mas que dá liberdade para os membros criarem seus destinos e mesmo influenciarem os destinos dos personagens originais. A história se cria através da interação e da inter-relação dos personagens.
Outro tema que domina os espaços na internet direcionada e fomentada por esta faixa-etária, é o universo dos vampiros e lobisomens de Crepúsculo, obra original de Stephenie Meyer. No fórum ForksRPG, os membros preenchem uma ficha de intenção indicando qual categoria de personagens gostariam de representar: vampiros, lobisomens ou humanos. Após a aceitação do administrador, cada um deverá preencher uma ficha com características e a partir daí poderá iniciar a interação e interferir na história.
Estes dois RPG’s são exemplos, entre tantos na internet, que revelam como se dá a construção de uma narrativa a partir da interação dos sujeitos, da busca da inserção das novas possibilidades tecnológicas, midiáticas e digitais na qualificação de uma capacidade lingüística baseada na autoria. É a co-construção do texto, colaborativamente, e fundamentalmente formada por muitas vozes.
• Fanficitions – O termo contemporâneo Fanfiction refere-se às histórias criadas por fãs. Desenvolvem-se quando um ou uma fã, ao ler ou tomar conhecimento de uma obra escrita, filmada, ou advinda de mídias diversificadas, resolve criar outras histórias a partir do universo original que compreende personagens, tempo e espaço.
É claro que parte importante deste movimento de escrever novas versões para livros, filmes, seriados, etc, é a veiculação destas histórias na comunidade virtual. O autor de fanfiction quer ler e quer, sobretudo, ser lido. E para isso ele participa de comunidades virtuais, que com a popularização da internet, tornaram-se as formas mais práticas de atingir outros fãs e pessoas com interesses afins.
Um interessante portal que compreende esta modalidade de escrita é o Nyah! Fanfiction. A partir de uma pesquisa netnográfica realizada, foi possível compreender a definição de um perfil dos membros/usuários destes espaços:
a. Faixa-etária predominante: Pré-adolescentes e adolescentes
b. Principal ponto de acesso à Internet: Em casa
c.Tempo de Conexão: Mais de seis horas
d. Uso de recursos na internet: MSN
e. Número de histórias lidas na CV Nyah: Mais de 25
f. Número de Histórias escritas e publicadas na CV Nyah: Até 5 histórias
g. Livros lidos: Mais de 15 livros
A observação direta das histórias e interações, bem como a delimitação clara do perfil, obtidas através do questionário on-line revela que os usuários entendem o ato de ler e escrever como algo prazeroso e sério ao mesmo tempo, demonstrando muito compromisso com o escrever bem, da melhor forma que entendem, e prezam demasiadamente a opinião de seus pares, membros e visitantes das comunidades.
A partir da publicação de uma história em um portal de fanfiction, os autores esperam ansiosamente por comentários dos leitores. Isso os estimula a continuarem a escrever. As principais publicações referem histórias em capítulos, assim os leitores acompanham tais histórias como se fossem novelas , veiculadas um capítulo por período, seja ele diário, semanal, quinzenal, mensal ou com intervalo maior. Os leitores das histórias que acompanham a publicação de novos capítulos são também os escritores de outras histórias, o que forma assim uma rede de conhecimento compartilhado.
Assim como encontramos, referenciado em Levy, este sujeito que aqui escreve e lê, é um aluno interconectado e que tem por referência principal a convivência virtual, a interação síncrona e assíncrona, o compartilhamento de seus saberes com os demais sujeitos da CV a fim de constituir uma rede de conhecimentos. Eles lêem histórias na tela do computador, eles lêem livros e fazem isso porque gostam e não porque há um professor solicitando. Aqui a leitura faz parte da diversão e é um passe para fazer parte do grupo social. A escrita é uma consequência advinda do prazer de ler, e qualificada por ela. É a partir da leitura e da escrita que estes sujeitos relacionam-se, e se constituem os seres que são.
Diferentemente do que poderíamos pensar inicialmente, estes leitores/escritores estão diariamente qualificando seus discursos, qualificando suas narrativas, seus vocabulários a partir do ler e escrever fanfictions, RPG’s e etc.
O WORKSHOP
Tendo em vista as possibilidades que se apresentam a partir da leitura e da construção de narrativas tais como fanfictions e RPG’s além do desenvolvimento de imagens de layouts, a proposta de workshop pensada é, portanto, para oportunizar vivências de construção narrativa e imagética, que colaborem assim para a qualificação da capacidade lingüística dos sujeitos:
1. Ler e escrever: Serão apresentados aos participantes os portais de publicação de fanfictions e RPG’s. Serão lidas histórias alternativas e narrativas colaborativas. Após, a partir de algumas técnicas de escrita criativa os participantes serão convidados a escreverem suas fanfictions e participar de RPG’s escolhidos.
2. Publicação e Interação: A partir da publicação de suas fanfictions os participantes deverão vivenciar a interação dos membros das comunidades através de ler e postar seus “reviews ”.
3. Criação de Fórum RPG: Será ensinada aos participantes a criação de fóruns para administração de RPG. Nesta etapa os participantes também passarão por oficina de Gimp (Editor livre de imagem) para criar o layout do RPG.
4. Identidade virtual: A constituição da identidade de um sujeito engajado, atuante na sociedade e com vez e voz no universo virtualizado deverá ser estimulada através da constituição de narrativas contemporâneas fanfictions, RPG’s e fanarts. É a inclusão digital contribuindo para a inclusão social no mundo de hoje de todos os sujeitos. Montagem de um webfólio digital com as histórias criadas.
REFERÊNCIAS
Freire, Paulo: Educação como Prática da Liberdade. (1979) Rio de Janeiro, Paz e Terra- 21ª Edição.
Lévy, Pierre. (1996) O que é o Virtual. São Paulo, Editora 34.
Lévy, Pierre. (1999)As Tecnologias da Inteligência. São Paulo, Editora 34.
Santaella, Lúcia. (1983)O que é semiótica. São Paulo, Editora Brasiliense.
Santaella, Lúcia. (2004)Cultura das Mídias. São Paulo, Editora Experimento.
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