Segue abaixo dois documentos (um projeto e uma carta) importantes para tentar entender e sentir a rede e o que foi feito até agora. Segue também os links no facebook. O blog ainda não foi colocado em funcionamento.

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links

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o NORTE COMUM visa criar uma rede de articulação entre os bairros da Zona Norte, a fim de restabelecer meios de circulação e expressão cultural na região.

“Resumindo, o projeto ou a rede Norte Comum nada mais é que um sentimento em comum, que distribuído e compartilhado transforma-se num movimento. Um movimento em forma de rede, descentralizado, horizontal, aberto, suprapartidário, colaborativo e movido por sonhos.”

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projeto – manifesto

Sobre o Projeto -

O projeto Norte Comum consiste na criação de uma rede que estabeleça a comunicação entre todos os interessados na construção do comum na Zona Norte do Rio de Janeiro. A idéia surgiu diante da evidente escassez de projetos e atividades relacionados à cultura nessa região. Frente à essa realidade o que se vê é o êxodo generalizado de boa parte dos moradores locais (em especial os jovens) para o Centro e a Zona Sul da cidade. Onde há o monopólio da cultura no Rio de Janeiro. Trata-se de ter que ser imposta uma “inversão de rota” em âmbito cultural na cidade.
O projeto é dividido basicamente em duas frentes gerais de atuação. Uma referente a criação e manutenção da rede, e a outra focada na formação de uma produtora coletiva e horizontal. Para definir um pouco melhor as duas:

• A rede tem fins de ligação. Conectando todos aqueles interessados em se aprofundar em discussões a respeito do território (estudos, pesquisas, reflexões) visando abrir espaço para criação do comum (a realização de ações será conseqüência desses encontros e debates).
• A produtora coletiva tem pretensões mais objetivas e diretas diante da urgência da realização de qualquer tipo de manifestação artística e cultural na região. Visa a reunião de produtores, agitadores, fomentadores e artistas que estejam já com projetos prontos para serem realizados no território.

Fica evidente que esses dois pontos (a rede e a produtora) se entrelaçam e dependem um do outro. No entanto, trata-se de dois pontos de uma mesma causa, que visam um bem maior, que é a construção de relações pessoais e a realização de projetos que fomentem ainda mais a intensificação desses laços.
Falando um pouco mais sobre a rede. Pretende-se reunir estudantes, artistas, produtores, professores, pensadores, ativistas, agitadores, enfim, todos aqueles que estiverem interessados em participar ou que de alguma forma se interessam por cultura. A partir da união dessas diferentes potencialidades constrói-se campo para o comum, e dele surge a produção de atividades que visam a transformação social desse território.

Principais objetivos

• Estabelecer comunicação entre as singularidades para que existam condições para criação de laços de afinidade
• Garantir condições para circulação e criação do comum por meio das relações e de ações específicas. Visando construir referência nesse território, e transformação da realidade social
• Ocupar de todas as formas possíveis os espaços públicos. Em especial as praças que se encontram abandonadas e convertidas em mero lugar de passagem
• Estabelecer comunicação entre os pontos de cultura da região. Que apesar do investimento financeiro não tem projeção perante a sociedade (em especial a comunidade local)
• Estabelecer reunião entre as faculdades, com o intuito de mobilizar os estudantes diante da necessidade da realização de projetos sociais e culturais no território

Ações e estratégias

• Faz-se urgente o diálogo com as muitas favelas da região. Com o intuito de humanizar esses territórios. Inversão de rota. Contra a criminalização das favelas e de seus moradores.
• Criação de site (blog) para que se torne possível a continuação das discussões da rede através da rede. Explorando também as redes sociais
• Com a rede em funcionamento, através dos diálogos com os pontos de cultura, conseguir espaço na agenda desses centros culturais. Visando abertura de espaços para realização de projetos
• Criação de calendário com todos os eventos que serão realizados na região. Canal de divulgação (através do próprio site)
• Realização de mutirões ecológicos para acelerar o “esverdeamento” das praças da região
• Lutar pela reabertura dos extintos cinemas de rua da região.
• É necessária a realização de grandes eventos na região (ex. Festival de música local)
• Conseguir um local específico para reuniões e eventos. Que atue como zona autônoma de pensamento e discussão. Independente.
• Atuar no diálogo com os jovens. E refletir sobre a importância da presença e resistência deles no território
• Pesquisar a fundo a rica história da região (pouco explorada). Conhecer e divulgar seus mitos, suas histórias e seus ícones.
• Mesas, debates, seminários discutindo a realidade social e política da região
• Mostras e exposições com obras dos artistas (de ontem e de hoje) da região

Conclusão

A Zona Norte é muito conhecida pela violência anunciada nos jornais, por ser cheia de militares e reacionários e, sobretudo, como um lugar em que nada agitado ou movimentado pode dar certo. Seus jovens são rotulados como fanfarrões, e que de forma alguma teriam interesse em algo ligado à cultura em geral. Nossa luta é contra esse estigma que nos envolve desde nossa infância até os dias hoje. Crescemos escutando que “o bom” é sair para se divertir e morar em outro lugar (zona sul, Barra da Tijuca), e que coisa boa só acontece longe daqui.
Nossa luta é para oferecer novas perspectivas para essa região. Disputar esse território com os “reaças”. Unir a juventude, unir as cabeças pensantes através do diálogo, através da cultura. Fazer com que circulem e produzam o comum no território. Reconhecendo a importância e o potencial da região. Invertendo a rota, e acabando com o monopólio da cultura na cidade do Rio de Janeiro.
O nome Norte Comum vem com a idéia de norte como caminho, direção, destino além de fazer referência a Zona Norte onde o projeto atua. Já o comum além do sentido da palavra, trata em especial do comum encontrado na obra de Antonio Negri “Um comum abundante que abrange ideias, afetos, linguagens. Não é um bem, mas uma relação em eterna construção de novas formas de vida, um comum biopolítico”.
Para finalizar, trata-se de um projeto aberto, que serve de modelo para criação de outros projetos. O intuito não é de fechar o território, e sim de abrir. De se lançar, de fazer existir (“ter existência real”), pôr se em aberto. Inaugurar uma nova era de abertura para essa região, oferecendo-lhe novas perspectivas através das relações pessoais e da cultura.

Frentes de Atuação

COMUNICAÇÃO

• Organização da rede
• Reuniões – encontros – atividades
• Internet – blog – redes sociais
• Listar artistas, bandas, coletivos, galera do skate, artistas de rua
• Criar canal com as faculdades e seus núcleos de produção

CULTURA

• Discutir as ações e estratégias
• Mapear pontos de cultura e espaços potenciais para eventos culturais
• Mapear as praças e lugares públicos que possam ser utilizados
• Listar todos os possíveis parceiros (apoio)
• Estabelecer diálogo e influência com os pontos de cultura
• Criar calendário cultural da região

ECOLOGIA, SAÚDE e MEIO AMBIENTE

• Organização de mutirões para reflorestamento dos espaços públicos
• Atividades educacionais e interativas
• Passeios e trilhas. Mapas e reconhecimento do território

SOCIAL

• Interação com as favelas. Criação de pontes de relacionamento
• Atividades para troca de experiências
• Inversão de rota
• Discussão em torno dos trabalhadores de rua
• Discussão em torno dos moradores de rua

AUDIOVISUAL

• Registro e documentação do território
• Incentivo a produção e exibição interna
• Criação e divulgação de cineclubes
• Entrevistas filmadas com grandes ícones da região
• Documentários e filmes

PESQUISA E HISTÓRIA

• História da região
• Números e estatísticas
• Arquivo com variados trabalhos e pesquisas
• Pesquisar sobre ícones do passado e do presente
• Pesquisar sobre as histórias da região

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Carta – manifesto

Nós, criadores e construtores de uma nova ou outra realidade

Completa-se agora em setembro um mês desde que o Projeto Norte Comum teve seu início. Apesar do breve tempo de atividade, já se faz possível uma análise do que aconteceu de lá pra cá. Uma análise séria e objetiva trataria com números e resultados, e também definiria planejamentos e metas.

No entanto, essa análise vai na direção contrária decepcionando os mais pragmáticos. Essa está mais para uma carta de início de romance, confusa e apaixonada frente ao horizonte maravilhoso que se abre, das profundezas dos sonhos e diante dos olhos.

Um mês pode parece pouco, mas muito já foi construído sustentado por reboco imaterial de pura qualidade. Nenhuma ação concreta e bem planejada até agora foi realizada, mas pessoas se conheceram. Novas amizades foram feitas e velhas amizades redescobertas e reinventadas dentro dessa nova conjuntura.

Todos com caminhos e ideias diferentes, porém apontados para uma mesma direção. Mirando o sem-fim que nos é reservado. Mobilizados por um falso projeto que não passa de um sentimento, de um sonho em comum. Na melhor das hipóteses um projeto criado por todos e que tem como objetivo principal, fazer convite a uma tentativa de construir sonhos coletivamente.

No território virtual fomos de 10 para mais de 500 pessoas em menos de um mês, sem campanhas apelativas de divulgação. Simplesmente por pura e espontânea vontade daquele que foi convidado achar que um outro amigo ou amiga também ficaria feliz em conhecer o projeto. Desses 500, um pouco mais de 50 se prontificaram, deixando clara a vontade de pular nesse barco, e conduzir na força dos braços e dos sonhos, essa nau de loucos que navega na escuridão.

Ao contrário do que todos esperavam, as reuniões em “território real” também foram muito interessantes. Além das mesas de bar e reuniões aleatórias entorno do projeto, foram 4 reuniões gerais, tendo em média 15 participantes por encontro. Pode parecer pouco para alguns, mas de fato não é. Diante da ditadura do tempo em que vivemos, conseguir reunir semanalmente 15 pessoas (que não são sempre as mesmas), sem envolver obrigação, dinheiro ou álcool, indubitavelmente não é fácil.

As reuniões são muito interessantes. Primeiro porque muito acabam se conhecendo lá, naquele momento. Segundo porque sempre acontece de alguns se reconhecerem, seja por memórias de tempos idos, ou por ser amigo de amigos ou até mesmo de situações aleatórias. Mas todos movidos por um sentimento em comum. E também com uma pergunta em comum: “AFINAL, QUE PORRA É ESSA?”.

Não é bonito? Uma pessoa sair de casa depois de trabalhar, ou estudar, ou nada-fazer, e se dispor a ir a um encontro de pessoas que se conheceram através de um grupo, mobilizados por um falso e confuso projeto na internet, e chegar lá com o simples intuito de querer entender o que é aquilo. E o pior (e mais bonito ainda) de querer ajudar a fazer aquilo acontecer.

Portanto, fica claro o motivo de jamais ninguém ter conseguido responder a e nenhuma dessas perguntas. É porque ninguém sabe, e nem saberá. “É um projeto de que? É um coletivo? É um movimento? Qual é a estrutura? E como? Quais são as direções? O que vamos fazer?”.

A resposta pra isso é que é tudo, e nada, disso, e mais um pouco. É um projeto/movimento/sentimentoque jamais se fecha, só se abre, só se expande. Que é reciclável, autosustentável, CC (creative commons) e com todos os direitos reservados a todos (copyleft). Se é pra ser de poucos, não é de ninguém, e se é pra ser muitos, é de todos. Logo, um projeto em eterna construção. Sem deixar-se levar pelos anseios humanos de limitar a potencialidade dos sonhos.

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Sejamos corajosos a ponto de não podar nossas vontades. Reconheçamos-nos como jovens (no mínimo de espírito) sonhadores a fim de transformar a realidade social/política/cultural da cidade que amamos (e habitamos). E nada mais justo que o nosso quintal para começar essa mudança. Temos muito o que fazer, agora.

Não vamos ficar esperando o governo reformar (ou revitalizar) nossas praças. Se suas paredes são cinzas, damos-lhes cor. Se os jardins estão mortos, semeamos-lhes a vida. As ruas estão vazias, mas os shoppings lotados se alçam aos céus. Vamos ocupar as ruas, dar-lhes movimento. Onde estão os jovens? Toda essa mudança está nas nossas mãos. Cada um com um tijolo construindo essa estrada tanto para nossa caminhada, como para os demais.

Não temos cara, nem distinção. Somos uma multidão que mora perto mas só se conhece longe. Nossa é luta é contra o monopólio de rotas que ofusca a maior parte dessa cidade tão cheia de riqueza. Nossa luta é contra o conservadorismo do estado, dos mais velhos e dos jovens também. Estes já conformados de ter que aceitar se deslocar em bando para onde o 2° caderno do globo mandar. A luta maior não vai ser contra a resistência dos mais velhos ou do estado, pois estes se moldam e se adaptam diante da nossa força. Esses dependem de nós para não e destruírem. Nossa luta maior é contra a resistência dos nossos. Daqueles que pensam “isso não vai dar em nada”. Vamos ter que ter força para resistir e provar que existe outro caminho.

Há de se reiterar. Não é para fechar nada, e sim para abrir. Fazer existir, pôr-se em existência. Iluminar territórios abandonados, destruídos e difamados. Temos nós a força para ressuscitar todos esses lugares, dando-lhes movimento, dando-lhes vida, amor e alegria. Acho que essa é a nossa maior meta, nos organizar, nos reunir e nos divertir.

Não temos partido, temos uma direção, a direção do comum. Não seremos subjugados a interesse algum que não os nossos próprios. Não vamos esperar o dinheiro público e nem o privado para criar plataformas de expressão para aqueles que produzem suas obras e não tem onde se expressar; Não vamos esperar o governo construir escolas, e muito menos esperar o sela de qualidade do MEC para passar adiante e fazer circular o conhecimento que é um bem de todos; E não vamos depender de intermediários para realizar nossas ações.

Não trata-se de uma revolução que visa a tomada do poder. Longe disso. Trata-se sim, de uma mudança de postura diante do mundo. Reconhecendo a força que emana da reunião dessas potencialidades. Vamos atuar da maneira que pudermos, aproveitando tudo que nos é de direito como cidadãos (direitos básicos, leis) e também como seres humanos (humanitários).

Enfim, está nas nossas mãos a transformação dessa realidade que hoje impera, mas que não é a única. Comecemos por aqui a revolução que queremos para o mundo. Nossas armas são, dentre outras: paixão, resistência, união, inteligência, pluralidade, criatividade, sonho, felicidade e amor. Parecem poucas e não matam, ao contrário disso, são infinitas e só incentivam a viver.

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Resumindo, o projeto ou a rede Norte Comum nada mais é que um sentimento em comum, que distribuído e compartilhado transforma-se num movimento. Um movimento em forma de rede, descentralizado, horizontal, aberto, suprapartidário, colaborativo e movido por sonhos.

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