“Arte e Existência” se estabelece como uma verdadeira germinação de formas que refazem o ato criador, num tempo e espaço próprios. Formas capazes de dirigir ou derivar forças. A encenação reune elementos opostos (água, carne, pano e o próprio corpo) capazes de: desconstruir, descentrar, desintegrar, construir, equilibrar, integrar. O ir-se abrindo e se metamorfoseando. O Corpo que está em cena se propõe ser o receptáculo dos movimentos mais íntimos da alma humana, fazendo com que o performer se torne uma presença viva em cena. Incluindo a bricolagem de textos do teatrólogo francês Antonin Artaud, favorece ao exercício teatral, ao diálogo com a essência e a materialidade do ator, onde o fio condutor da espetacularização se mantém na relação entre a estética e a ética, numa abrangência de ocupação de espaços alternativos tanto internos como externos. Com essa encenação, pretende-se provocar o público para um questionamento do “eu”, da relação entre corpo e vida, entre arte e existência. Essa análise da expressão comunicativa derivada da linguagem da performance ocasiona um apuramento da visão estética, tanto de quem assiste quanto de quem atua. Não ha distância entre ator e platéia, todos são atuantes e todos estão in progress. Deseja-se trabalhar com a provocação/percepção dos sentidos: um encontro e (re)encantamento com a linguagem espacial, a linguagem de gestos, de atitudes, de expressões e a linguagem de gritos e onomatopéias, a linguagem sonora. Experimenta-se o corpo em sintonia com a mente, um corpo energia: essência e materialidade são usos constantes na investigação do ser. O principal objetivo é refazer a vida. A vida/arte, não nos fatos e acontecimentos exteriores, mas naquilo que se tem de mais profundo e de mais sagrado. Recriar algo vivo, um acontecimento do espírito e dos sentidos – regiões fecundas da sensibilidade e criatividade humana.
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