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Cultura Digital: é hora de se conectar

por Rodrigo Savazoni

A cultura digital é a cultura da participação e da colaboração por meio da rede mundial de computadores. Por isso mesmo, a internet dá tão certo neste nosso país, onde a gente passa em média 69 horas por mês conectado. Somos líderes desse ranking. O Brasil tem mutirão, gambiarra e uma enorme capacidade de cooperar para resolver problemas e, justamente por isso, pelo nosso “jeitinho” de remixar, tem despertado grande interesse do mundo. Lá fora, eles sabem que, se conseguirmos aplicar essa capacidade de inovar na vida na criação de tecnologias úteis para a maioria das pessoas do planeta, não tem pra ninguém: o século 21 é do Brasil.

Fazer isso acontecer, de fato, é nosso maior desafio.

Na semana que vem, o Rio recebe a terceira edição do Festival CulturaDigital.Br. Durante três dias, no MAM e no Cine Odeon, ocupando a Cinelândia, gente de todos os continentes irá se encontrar para conversar sobre a relação entre cultura, cidadania e tecnologia, em oficinas, palestras, debates, mostra de experiências e atividades artísticas, cuja programação pode ser acessada no www.culturadigital.org.br. Como em toda festa, no entanto, o melhor será o improviso.

O encontro servirá para pensar em como enfrentar esse enorme desafio de sermos, ao nosso jeito, produtores de inovação. A principal armadilha é encarar a cultura digital apenas economicamente. Não se trata de um festival para louvar badulaques (tablets, smart phones, computadores…), mas para construir conhecimento crítico sobre a importância da tecnologia na nossa vida. O que é pirataria? Baixar música é crime? Por que o You Tube produz em um minuto duas vezes o que a maior empresa de mídia produz em um dia? Por que tem corporações querendo patentear nossos genes?

Tem quem queira aprisionar ideias, porque não entendeu que só iremos avançar se mantivermos a internet aberta e livre e o conhecimento circulando em todas as direções.

Cultura digital não é para meia dúzia de aficionados por novidades. Diz respeito a todos.

Metade dos 80 milhões de internautas brasileiros são de famílias de renda média de cerca de R$ 2 mil. O lugar de onde mais se acessa a internet é a Lan House. O consumo online, nos sites nas lojas populares, explodiu, e isso se deve ao recém-adquirido poderio econômico da maioria dos brasileiros. Computador já vende mais que televisor. E, principalmente, é das periferias – aqui compreendidas de forma bem ampla – que surgem as melhores ideias.

Um dia fomos espectadores. Agora, precisamos nos conectar.

*Este texto foi publicado originalmente no jornal O Dia em 24/11/2011.

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